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Pós-punk, poesia marginal e algo mais em BH para depois dos anos 80

Caros amigos,
gostaria de compartilhar com vocês algumas questões que afetam o sujeito na afirmação da sua identidade, considerando que o pleno gozo de sua autonomia e o reconhecimento da alteridade são condições sine qua non para a construção de um pensamento minimamente isento de influências do meio social e das manifestações involuntárias do próprio corpo. Isso posto, passaremos à discussão da formulação das idéias, a legitimidade questionável da posse dessas idéias e capacidade humana de produzi-las ad infinutum ou até um limite mensurável pelas modernas técnicas da neurociência.

1. A formação das idéias;
2. Os donos das idéias;
3. Idéias acabam?



A seguir, entrevista com o videoartista italiano Andrea Lampedusa, autor do livro Passando do limite, Cia. das Índias, 2008, R$ 39,90.


M. N. - Sr. Lampedusa, em seu livro Passando do limite o senhor defende a idéia de que todo artista já nasce com um número pré-determinado de idéias originais. Num momento em que as condições forem propícias, estas idéias emergirão à superfície de sua mente. Para que elas se transformem em obras de arte dependem, evidentemente, de alguns fatores externos. Nos interessa saber quando o artista esgota a sua quantidade de idéias originais. Como é possível medir isso?

A. L. - Meu objeto de análise foram as obras dos videoartistas nann junn paik, nanni totti, bill viola e marcelo tasss. O estudo da obra destes artistas me levou à equação que nos permite medir a evolução das idéias de artistas em geral.

M. N. – O senhor poderia explicar esta equação numa linguagem acessível a artistas da imagem?

A. L. – Perfeitamente. Assim como os telômeros, localizados na extremidade de cada cromossomo, são encarregados de indicar às células quando têm que envelhecer, a equação da Finitude das Boas Idéias permite calcular, a partir do conhecimento da idade (ia), da expectativa de vida (ev), do tempo máximo de vida da espécie (tmve), do número de obras realizadas (nor) e da constante criativa (c), que como a velocidade da luz não pode ser ultrapassada, a quantidade de boas idéias que determinado artista ainda está apto a produzir. A fórmula é a seguinte: tmvi – ev + ia x raiz quadrada de (c) / nor ao cubo. Imaginemos um autor na casa do 45 anos. O tempo máximo de vida da espécie humana está em 122 anos (ver tabela abaixo). A expectativa de vida do brasileiro, segundo o IBGE, é de 72 anos. A constante criativa, que corresponde ao tempo estimado do surgimento do homo sapiens na Terra, é 10.000 anos. Digamos que este autor tenha no seu currículo 12 boas obras.

Exemplo: 122* - 72 + 45 x raiz quadrada de de 10.000**/12 ao cubo = 5,49

*Tempo Máximo de Vida das Espécies (em anos)
Homem (Homo sapiens) 122
Cavalo (Equus caballus) 62
Gorila (Gorilla gorilla) 39
Cão (Canis familiaris) 34
Gato (Felis catus) 28
Camundongo (Mus musculus)3,5

**tempo estimado do surgimento do homo sapiens na Terra

O nosso hipotético artista ainda será capaz de produzir 5,49 boas idéias até o fim de seus dias.


M. N. - Sr. Lampedusa, gostaria de arriscar um palpite sobre algum videoartista mineiro?

A. L. - Os mineiros são muito susceptíveis. Por isso não gostaria de arriscar. Como nos ensinou o filósofo Karl Popper, a ignorância não tem limites. O conhecimento, sim. O que eu posso dizer, sem me expor muito, é que alguns videoartistas mineiros, que também transitam pela seara do cinema, estão perto de esgotar suas possibilidade criativas.

M. N. - Descreva sua visão original sobre o processo artístico contemporâneo.

A. L. - Minha visão original passa sempre por uma idéia audiovisual contaminada pelo vírus do estresse tecnológico. Para mim é a sua tradução completa. Não vejo outra abordagem mais apropriada e convergente com o processo artístico contemporâneo.

M. N. - Passando do estresse tecnológico para o estresse humano, existem casos em que diferentes obras contêm a mesma idéia. Obras de pessoas que nunca se falaram ou nunca se conheceram e tampouco têm ciência da produção artística umas das outras. A partir desta clivagem, pediria que o senhor falasse um pouco do conceito de propriedade das idéias.

A. L. - As idéias são protegidas pelo Direito Meritocrático. É fundamental precisar que o Direito Meritocrático protege as idéias de forma isolada, e não somente associada à forma de expressão da obra artística ou intelectual; isto que dizer: a idéia de um trabalho literário ou científico é o texto a ser escrito; da obra oral, a palavra a ser dita; da obra musical, o som a ser emitido; e da obra de arte figurativa, o desenho, a cor e o volume, etc a serem pincelados na tela. temos aí embutida uma idéia de porvir.
Assim, se duas obras, dois livros, p. ex., sob formas de expressão diversas, contêm a mesma idéia, segue-se que uma poderá ser havida como plágio da outra. como distinguir a idéia original do plágio? Comparando as obras em questão. Aquela que melhor expressou a idéia comum será tida como original e a outra como plágio. O autor do plágio será convecido pelo Estado a não continuar a escrever, pelo bem da comunidade de leitores. O próprio Estado será incumbido de encontrar uma segunda profissão para o escritor mediano. A demanda por encanadores está em alta.


A entrevista continua na semana que vem...

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Respostas a este tópico

Não concordo. Tem muito artista morto que não é nado bom. O Roberto Drummond, por exemplo.

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O Sr. Lampedusa, como já foi dito neste espaço, é um videoartista italiano, não é vidente, adivinho, vate ou profeta. Ele não sabe qual o tempo de vida que lhe resta. Grande e idoso escritor ele não é. Rico, sim.

Fernando Righi said:
Qual será o tempo de vida do sr. Lampedusa (que nem de perto chega do grande, rico e idoso escritor)?

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Não concordo. Tem muito artista morto que não é nada bom. Roberto Drumond, por exemplo.

Rodrigo Minelli Figueira said:
artista bom é artista morto

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Com certeza isso é muito bom. Isso é bom demais. Mas pra comer mulher não precisa ser artista.

evaldo magalhaes said:
Ói só, eu acho que o artista quando não é viado come muita muié. E isso é bom, poxa.

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My Dear Birimbica,
seu texto é meio confuso e cheio de erros de português, mas isto deve se dever, claro, ao fato de você ser norte-americana ou ter vivido muito tempo na América. O Sr. Lampedusa tem 78 anos. Sou seu tradutor, o que não quer dizer que comungo de suas idéias, contudo, não posso concordar com este conceito transcendental e metafísico que inclui a vida no "work in progress" ao ponta dela mesma, a vida, ser uma obra de arte. No entanto, se, usando suas palavras, "pra viver tem que ser mesmo artista", todo ser humano é naturalmente artista. Isto é uma impossibilidade.

esse sujeito que escreveu essa merda deve ser bem jovem, porque com essa teoria ele já vai se livrando dos artistas velhos que mantém o work in progress em que a vida já é a tal obra de arte, isto é, pra viver tem que ser mesmo artista.
Insistir no erro então...

Birimbica said:
seja marginal
seja herói

esse sujeito que escreveu essa merda deve ser bem jovem, porque com essa teoria ele já vai se livrando dos artistas velhos que mantém o work in progress em que a vida já é a tal obra de arte, isto é, pra viver tem que ser mesmo artista.
Insistir no erro então...

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nem o artista nem sua obra podem ser úteis...

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Birimbica, mon amour, Giuseppe Tomasi di Lampedusa, autor d'O leopardo, morreu em 1957!

Birimbica said:
seja marginal
seja herói

esse sujeito (Lampedusa, que com certeza não é o mesmo que escrevei o Leopardo) que escreveu essa merda deve ser bem jovem, espertinho, porque com essa teoria ele já vai se livrando dos artistas velhos que mantém o work in progress em que a vida já é a tal obra de arte, isto é, pra viver tem que ser mesmo artista.
Insistir no erro então...

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Exatamente. Não que você precise do aval de ninguém, mas Ferreira Gullar, Afonso Romano Sant'Anna, Paulo Leminsky e, provavelmente, muitos outros também disseram isto. Não entendo por que certas pessoas perdem tempo com assuntos periféricos.

Chico de Paula said:
nem o artista nem sua obra podem ser úteis...

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Nasci!

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Ai que punheta meus Deus.....

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marcus isso eh igual disco do oswaldo montenegro, se o vivyl nao tem lado bom (como tudo na vida),
o cd tem: o lado que não toca.
quanto ao artista morto, ele eh bom exatamente por isso:
moroto ele não pode fazer mais nada
daí o melhor que aconteceu ao mundo foi o roberto drummond morrer
assim ele não pode fazer mais nada...
morte aos artistas
e a afrika aos afrikaners...

Marcus Nascimento said:
Não concordo. Tem muito artista morto que não é nada bom. Roberto Drumond, por exemplo.

Rodrigo Minelli Figueira said:
artista bom é artista morto

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o foda é pensar q depois que morrem os Drummonds, a gente fica vendo estátua deles espalhadas por aí, na savassi, em itabira, no rio.
nem eles tem sossego nem eu. toda vez que cruzo a savassi por ali fico querendo trocar de lado da rua...

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