Oi Lucas!
Gostaria de oferecer um local para a exibição do documentário. Reciclo 2 - Rua da Bahia 2164, entre o Izabela Hendrix e o Minas. www.reciclocultural.com.br
Sou gerente do local, caso tenha interesse meu cel 9881 8101
Um abraço Excluir comentário
Aqui, obviamente vc nao se recorda de mim (e acho que nem deveria). Recebi o seu convite sobre o doc e vi ontem. Emocionante. Bacana demais! Muita falta que sinto daqueles tempos.... te confesso que achei o final muito triste... mas foi a saudade!
Parabens. Vai ter segunda parte?
Valeu. Sucesso ai pra vc!
então, Lucas!
olha, a banda Diroki se ofereceu pra tocar, caso haja festa de lançamento do dvd, ok? eu já tinha falado pra Daniela e pro Rodrigo Minelli... estou só reforçando... curiosíssima com os resultados de todo este trampo, com tantos atores que fazem parte das nossas vivências e memórias!!! que emoção!! aquele abraço!
Oi Lucas. Pois é rapaz, só fiquei sabendo do blog esta semana. Ainda tenho mais material. Vou divulgando. Qualquer coisa entre em contato. Grande abraço
Às 1:21 em 22 dezembro 2008, Bruno Verner disse...
fala Lucas! qt tempo nao passo por aqui!!!
que beleza pelo vsto ta indo tudo muito bem com as gravacoes, exposicao e tal...muitas novidades
acabei de botar uns cartazes do r mutt, ida e os voltas, divergencia e rock liquido que foi tb bem bacana na PUC, mas veio mensagem que a pessoa encarregada tem que analisar o conteudo :-)). Eh isso ai!
abs & Merry Xmas!
Às 15:39 em 21 dezembro 2008, Marcelo Brum disse...
Não confunda operador de câmera com operado e de cama, motivo pelo qual não irei às gravações do doc. Pena! Abraço,
Marcelo Brum
Oi Lucas,
Pois é... parece que as energias conspiram para que eu volte a esta casa. Depois de uma semana de diluvio, Ponte Nova interditada, saimos esta manhã com o carro carregado, paramos para abastecer e o frentista colocou gasolina e não Diesel na nossa Toyota... Bom... estamos ainda por aqui , sairemos amanhã.. Vou tentar passar de noite, gostaria de ver algumas pessoas, o problema é nunca saber que horas estarão ai.
F.
Oi Lucas,
obrigada pela acolhida de ontem, saimos, eu e Sonia, excitadas com as recordações. é muita coisa pra falar , pra contar.... espero que nosso depoimento ajude a contextualizar este nosso microcosmo belorizontino.
Beijos
Fabiana
lucas, bamba...rabo de foguete é apelido...r.s...mas rabo é sempre bom, né?
Às 13:50 em 28 outubro 2008, gibi cardoso disse...
E aí Bamba
Tomba entrou na Mostra Etnografica Rio, Cine Odeon.
De 12 a 19 de Nov. Assim que tiver data certa ti falo.
Abs gibi
Às 14:12 em 23 outubro 2008, gibi cardoso disse...
E aí Bamba,
Aqui estão as datas de Tomba no Mix Brasil, Programa Porta Retrato 1
15/nov - Cine Olido
20/nov - MIS
Diz se vc vai estar por sampa
abs gibi
Às 19:26 em 15 outubro 2008, gibi cardoso disse...
Prof. porque vc não tira essa aliança do dedo, tira também junto o dedo e a mão da frente da carranca ?
Tomba foi o maior sucesso no Indie ontem, mandaram mais outra sessão senão o público ficaria incontrolável.
Foi ótimo. Até o Mix abs gibi
Então... o vídeo... tenho que dar mais uma procurada... devo ter mais coisas espalhadas em alguma fita-embolorada-VHS. Preciso de tempo, tranquilidade e o desejo por um time-out-for-fun.
Mas como todo processe mnemônico é associativo, esse site tem me despertado algumas boas recordações... algum time-out-for fun...outro dia me lembrei de uma coisa divertida e de uma memória preciosa: que associação você faz se EU mencionar Tangerine Dream para você? Ou Clara Crocodilo? Lucas, tenho sentido saudades de você...só pode ser o site!
Seção : Cinema - 07/10/2008 Documentário retrata a efervescência cultural de BH
Distante do clichê de década perdida associado aos anos 1980, Belo Horizonte foi palco de intensa movimentação cultural, geradora de importantes artistas da cena contemporânea
Walter Sebastião - EM Cultura
O videomaker Rodrigo Minelli está recolhendo material para filme sobre a efervescência cultural de BH nos anos 1980
“Se Minas Gerais é reconhecida nacionalmente como lugar de invenção artística na cena atual, isso se deve ao underground dos anos 1980”, afirma o videomaker e professor Rodrigo Minelli. Ele se refere à agitação cultural a que BH assistiu entre o fim dos anos 1980 e o início dos 1990 em espaços alternativos. Misturando rock, poesia, artes plásticas, teatro, moda e, especialmente, evocações à vanguarda e à linguagem pop, a capital mineira se tornou berço de artistas importantes, como o cineasta Cao Guimarães, o videoartista Éder Santos e as bandas Sepultura e Pato Fu. Integrantes de grupos que desapareceram ou participantes de eventos realizados na época se tornaram produtores e incentivadores dos vários festivais internacionais de arte realizados na cidade.
O underground da década de 1980 é tema de documentário de 52 minutos do programa DOCTV, da Rede Brasil, em fase de pré-produção. Para recolher informações, está no ar o blog bhoitentas. Quem tiver qualquer material pode enviá-lo para o endereço www.bhointentas.ning.com, já apelidado de “boteco virtual”, referência ao principal ponto de encontro da turma. Projeto de Rodrigo Minelli e Lucas Bambozzi, o filme vai mostrar como surgiu o movimento.
Mas, o que o underground estimulou? “Tudo ou quase tudo que vemos hoje”, responde Minelli. Isto é: o rock e a arte experimental; a arte (e cultura) eletrônica e um novo olhar para o documentário; a videoarte; a pesquisa com novas mídias; o interesse por moda e por jovens estilistas. “Poucos têm a dimensão da importância da ação de jovens que, arriscando tudo, construíram, à força, um lugar para o que faziam”, afirma Rodrigo Minelli. Alimentada pelo existencialismo de Albert Camus (“não o de Sartre”, diz ele ), que entendia a vida como constante transformação, “a poesia marginal se tornou performance poética, levando à formação de grupos de rock, que puxaram clipes de shows. Assim nasceu a produção audiovisual de Belo Horizonte”, afirma, citando texto do poeta e cantor Gato Jair, vocalista do grupo Último Número, já extinto.
Era o tempo de poetas marginais (Marcelo Dolabela, Roberto Soares, Raimundo Nonato) e pencas de bandas de rock pós-punk: Divergência Socialista, Xiitas, Os Contras, Ida e os Voltas, R. Mutt, Os Meldas, Sexo Explícito, Hosana e Último Número, entre outras. Movimento forte era o heavy metal, a partir do selo Cogumelo. Havia quem misturasse tudo (texto, performance e música), como Os Baldes. “Paralelamente, começava a se esboçar o Skank, o Jota Quest”, observa Minelli. Fotógrafos candidatos a cineastas (Patrícia Moran, Rafael Conde, Lucas Bambozzi, Fabio Cançado, Leo Vidigal) observavam tudo. Cartazes, fanzines e livros divulgavam e discutiam o feito. Para muitos desses artistas, o palco era o bar. Como o DCE da UFMG e outros de nomes exóticos – Complexo B, Trincheira, Incapazes do Nirvana, Canil, Kiek, Ávida e “o próprio Bar do Lulu”, lembra Minelli.
“Muito do realizado ficou nas gavetas e nas caixas, não circulou, porque era realizado de forma precária e não tinha espaço onde ser visto”, observa. Na época não havia internet. Essa produção é muito mais ampla do que o pesquisador imaginava. Inclusive, ele vem recebendo informações de artistas que desconhecia. “O que pode parecer fracasso – isto é, não fez ‘sucesso’ de mídia – na verdade foi a opção de muitos: trabalhar à margem”, afirma.
A origem do fenômeno remete à política estudantil, sobretudo nas universidades, “mas incorporando quem estava chegando do movimento secundarista e quem tinha jogado a escola para o alto”, analisa. Papel importante cumpriu a chapa Onda, surgida no Diretório Acadêmico da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da Universidade Federal de Minas Gerais. Mais tarde, a Onda ganharia as eleições para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFMG, dando origem à chapa Zap Cultural. Deve-se a elas a vinda a Belo Horizonte, pela primeira vez, dos destaques musicais da Lira Paulistana (Língua de Trapo, Premeditando o Breque e Itamar Assumpção) e de representantes do chamado BRock: Legião Urbana, Capital Inicial, Ira!. Além do pessoal do teatro, como o grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone. “Pela primeira vez, pensava-se a cultura como política, mas como outra política, a da subjetividade. O que era diferente das concepções culturais que vinham dos anos 1960”, explica Minelli.
Ainda existe underground? “Existe. As pessoas não imaginam o quanto ele pode ser importante para o futuro da arte e da cultura”, avisa Rodrigo Minelli, satisfeito e surpreso com a receptividade a seu blog, que permitiu a localização de 338 fotos, 33 vídeos e 63 músicas. O projeto prevê a edição de livros, seminário e lançamento de discos.
John Ulhoa (C) e a banda Sexo Explícito: underground foi escola "e das boas" para jovens artistas de BH
PERSONAGENS
“Tinham preconceito, porque eu estava mais para hippie do que para dark”, recorda, com bom humor, o cinesta Cao Guimarães. Para piorar as coisas, ele gostava de Caetano Veloso, execrado na época de culto à melancolia e às várias facções do rock inglês ou do metal pesado. “A década de 1980 é bastante estranha, um pouco kitsch, afetada. Talvez só a área musical tenha mais personalidade. Identificava-me mais com a poesia marginal e com intervenções poéticas em bares. Gostava da autonomia deles”, diz o diretor, cujas obras têm sido exibidas nas principais mostras de cinema do mundo, como o Festival de Veneza.
A arquiteta Isabela Vecchi, prêmio de design do Museu da Casa Brasileira em 2005, também conheceu de perto o underground dos anos 1980. Têm a mão dela cartazes que marcaram época, como o da chapa Deus é doido, para o D.A da Fafich. “Não se ia a bares para beber, mas para saber das novidades. Era um sarau que funcionava informalmente. Quando alguém descobria alguma coisa, ‘aplicava’ os outros”, conta.
Ela guarda até hoje o vinil pirata do Joy Divison, grupo cultuado que mais tarde daria no New Order. “Foi uma transição esquisita, até no gosto”, observa. Na turma dela, o quente era vestir preto, ser muito pálido e deprimido. “Achávamos que estávamos em Londres”.
O produtor e guitarrista John Ulhoa é personagem ilustre do período. Ajudou a criar os grupos Último Número e Sexo Explícito, tocou na Divergência Socialista (de Marcelo Dolabela) – todos com pessoas ligadas à poesia marginal. Esteve no Sustados por um Gesto, núcleo de onde sairia o Pato Fu, sua banda atual. “Tínhamos muitas idéias e tempo disponível para estar em todas”, brinca. “O underground, quando genuíno, é uma escola, estimula a ser original, a fazer som pessoal”.
Para ele, a dificuldade de informação contribuiu para a diversidade de sons. “Hoje, as bandas underground fazem quase o mesmo som do mainstream”, critica, lamentando o contexto “cheio de uniformes, regrinhas e conservadores”.
“Em 1980, estávamos criando um treco e pagamos um preço por tentar fugir dos clichês”, conta John, citando a dissolução do Sexo Explícito. “Se a geração do fim dos anos 1980 deixou a sensação de que não aconteceu, na década seguinte conseguiu lugar ao sol decente, além de carreiras brilhantes”, compara, citando os artistas Marta Neves, Jimmy Leroy, Éder Santos e Lucas Bambozzi.
BHUnderground
Pós-punk, poesia marginal e algo mais em BH para depois dos anos 80
Comentários de Lucas Bambozzi
Caixa de Recados (46 comentários)
Você precisa ser um membro de BHUnderground para adicionar comentários!
Entrar nesta rede social
Gostaria de oferecer um local para a exibição do documentário. Reciclo 2 - Rua da Bahia 2164, entre o Izabela Hendrix e o Minas. www.reciclocultural.com.br
Sou gerente do local, caso tenha interesse meu cel 9881 8101
Um abraço Excluir comentário
Um grande abraço
Ana e Eri
Parabens. Vai ter segunda parte?
Valeu. Sucesso ai pra vc!
Ana e Eri
Abraços
olha, a banda Diroki se ofereceu pra tocar, caso haja festa de lançamento do dvd, ok? eu já tinha falado pra Daniela e pro Rodrigo Minelli... estou só reforçando... curiosíssima com os resultados de todo este trampo, com tantos atores que fazem parte das nossas vivências e memórias!!! que emoção!! aquele abraço!
que beleza pelo vsto ta indo tudo muito bem com as gravacoes, exposicao e tal...muitas novidades
acabei de botar uns cartazes do r mutt, ida e os voltas, divergencia e rock liquido que foi tb bem bacana na PUC, mas veio mensagem que a pessoa encarregada tem que analisar o conteudo :-)). Eh isso ai!
abs & Merry Xmas!
Marcelo Brum
Pois é... parece que as energias conspiram para que eu volte a esta casa. Depois de uma semana de diluvio, Ponte Nova interditada, saimos esta manhã com o carro carregado, paramos para abastecer e o frentista colocou gasolina e não Diesel na nossa Toyota... Bom... estamos ainda por aqui , sairemos amanhã.. Vou tentar passar de noite, gostaria de ver algumas pessoas, o problema é nunca saber que horas estarão ai.
F.
obrigada pela acolhida de ontem, saimos, eu e Sonia, excitadas com as recordações. é muita coisa pra falar , pra contar.... espero que nosso depoimento ajude a contextualizar este nosso microcosmo belorizontino.
Beijos
Fabiana
Só esse agora...
Tomba entrou na Mostra Etnografica Rio, Cine Odeon.
De 12 a 19 de Nov. Assim que tiver data certa ti falo.
Abs gibi
Aqui estão as datas de Tomba no Mix Brasil, Programa Porta Retrato 1
15/nov - Cine Olido
20/nov - MIS
Diz se vc vai estar por sampa
abs gibi
Tomba foi o maior sucesso no Indie ontem, mandaram mais outra sessão senão o público ficaria incontrolável.
Foi ótimo. Até o Mix abs gibi
Mas como todo processe mnemônico é associativo, esse site tem me despertado algumas boas recordações... algum time-out-for fun...outro dia me lembrei de uma coisa divertida e de uma memória preciosa: que associação você faz se EU mencionar Tangerine Dream para você? Ou Clara Crocodilo? Lucas, tenho sentido saudades de você...só pode ser o site!
Documentário retrata a efervescência cultural de BH
Distante do clichê de década perdida associado aos anos 1980, Belo Horizonte foi palco de intensa movimentação cultural, geradora de importantes artistas da cena contemporânea
Walter Sebastião - EM Cultura
O videomaker Rodrigo Minelli está recolhendo material para filme sobre a efervescência cultural de BH nos anos 1980
“Se Minas Gerais é reconhecida nacionalmente como lugar de invenção artística na cena atual, isso se deve ao underground dos anos 1980”, afirma o videomaker e professor Rodrigo Minelli. Ele se refere à agitação cultural a que BH assistiu entre o fim dos anos 1980 e o início dos 1990 em espaços alternativos. Misturando rock, poesia, artes plásticas, teatro, moda e, especialmente, evocações à vanguarda e à linguagem pop, a capital mineira se tornou berço de artistas importantes, como o cineasta Cao Guimarães, o videoartista Éder Santos e as bandas Sepultura e Pato Fu. Integrantes de grupos que desapareceram ou participantes de eventos realizados na época se tornaram produtores e incentivadores dos vários festivais internacionais de arte realizados na cidade.
O underground da década de 1980 é tema de documentário de 52 minutos do programa DOCTV, da Rede Brasil, em fase de pré-produção. Para recolher informações, está no ar o blog bhoitentas. Quem tiver qualquer material pode enviá-lo para o endereço www.bhointentas.ning.com, já apelidado de “boteco virtual”, referência ao principal ponto de encontro da turma. Projeto de Rodrigo Minelli e Lucas Bambozzi, o filme vai mostrar como surgiu o movimento.
Mas, o que o underground estimulou? “Tudo ou quase tudo que vemos hoje”, responde Minelli. Isto é: o rock e a arte experimental; a arte (e cultura) eletrônica e um novo olhar para o documentário; a videoarte; a pesquisa com novas mídias; o interesse por moda e por jovens estilistas. “Poucos têm a dimensão da importância da ação de jovens que, arriscando tudo, construíram, à força, um lugar para o que faziam”, afirma Rodrigo Minelli. Alimentada pelo existencialismo de Albert Camus (“não o de Sartre”, diz ele ), que entendia a vida como constante transformação, “a poesia marginal se tornou performance poética, levando à formação de grupos de rock, que puxaram clipes de shows. Assim nasceu a produção audiovisual de Belo Horizonte”, afirma, citando texto do poeta e cantor Gato Jair, vocalista do grupo Último Número, já extinto.
Era o tempo de poetas marginais (Marcelo Dolabela, Roberto Soares, Raimundo Nonato) e pencas de bandas de rock pós-punk: Divergência Socialista, Xiitas, Os Contras, Ida e os Voltas, R. Mutt, Os Meldas, Sexo Explícito, Hosana e Último Número, entre outras. Movimento forte era o heavy metal, a partir do selo Cogumelo. Havia quem misturasse tudo (texto, performance e música), como Os Baldes. “Paralelamente, começava a se esboçar o Skank, o Jota Quest”, observa Minelli. Fotógrafos candidatos a cineastas (Patrícia Moran, Rafael Conde, Lucas Bambozzi, Fabio Cançado, Leo Vidigal) observavam tudo. Cartazes, fanzines e livros divulgavam e discutiam o feito. Para muitos desses artistas, o palco era o bar. Como o DCE da UFMG e outros de nomes exóticos – Complexo B, Trincheira, Incapazes do Nirvana, Canil, Kiek, Ávida e “o próprio Bar do Lulu”, lembra Minelli.
“Muito do realizado ficou nas gavetas e nas caixas, não circulou, porque era realizado de forma precária e não tinha espaço onde ser visto”, observa. Na época não havia internet. Essa produção é muito mais ampla do que o pesquisador imaginava. Inclusive, ele vem recebendo informações de artistas que desconhecia. “O que pode parecer fracasso – isto é, não fez ‘sucesso’ de mídia – na verdade foi a opção de muitos: trabalhar à margem”, afirma.
A origem do fenômeno remete à política estudantil, sobretudo nas universidades, “mas incorporando quem estava chegando do movimento secundarista e quem tinha jogado a escola para o alto”, analisa. Papel importante cumpriu a chapa Onda, surgida no Diretório Acadêmico da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich) da Universidade Federal de Minas Gerais. Mais tarde, a Onda ganharia as eleições para o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFMG, dando origem à chapa Zap Cultural. Deve-se a elas a vinda a Belo Horizonte, pela primeira vez, dos destaques musicais da Lira Paulistana (Língua de Trapo, Premeditando o Breque e Itamar Assumpção) e de representantes do chamado BRock: Legião Urbana, Capital Inicial, Ira!. Além do pessoal do teatro, como o grupo Asdrúbal Trouxe o Trombone. “Pela primeira vez, pensava-se a cultura como política, mas como outra política, a da subjetividade. O que era diferente das concepções culturais que vinham dos anos 1960”, explica Minelli.
Ainda existe underground? “Existe. As pessoas não imaginam o quanto ele pode ser importante para o futuro da arte e da cultura”, avisa Rodrigo Minelli, satisfeito e surpreso com a receptividade a seu blog, que permitiu a localização de 338 fotos, 33 vídeos e 63 músicas. O projeto prevê a edição de livros, seminário e lançamento de discos.
John Ulhoa (C) e a banda Sexo Explícito: underground foi escola "e das boas" para jovens artistas de BH
PERSONAGENS
“Tinham preconceito, porque eu estava mais para hippie do que para dark”, recorda, com bom humor, o cinesta Cao Guimarães. Para piorar as coisas, ele gostava de Caetano Veloso, execrado na época de culto à melancolia e às várias facções do rock inglês ou do metal pesado. “A década de 1980 é bastante estranha, um pouco kitsch, afetada. Talvez só a área musical tenha mais personalidade. Identificava-me mais com a poesia marginal e com intervenções poéticas em bares. Gostava da autonomia deles”, diz o diretor, cujas obras têm sido exibidas nas principais mostras de cinema do mundo, como o Festival de Veneza.
A arquiteta Isabela Vecchi, prêmio de design do Museu da Casa Brasileira em 2005, também conheceu de perto o underground dos anos 1980. Têm a mão dela cartazes que marcaram época, como o da chapa Deus é doido, para o D.A da Fafich. “Não se ia a bares para beber, mas para saber das novidades. Era um sarau que funcionava informalmente. Quando alguém descobria alguma coisa, ‘aplicava’ os outros”, conta.
Ela guarda até hoje o vinil pirata do Joy Divison, grupo cultuado que mais tarde daria no New Order. “Foi uma transição esquisita, até no gosto”, observa. Na turma dela, o quente era vestir preto, ser muito pálido e deprimido. “Achávamos que estávamos em Londres”.
O produtor e guitarrista John Ulhoa é personagem ilustre do período. Ajudou a criar os grupos Último Número e Sexo Explícito, tocou na Divergência Socialista (de Marcelo Dolabela) – todos com pessoas ligadas à poesia marginal. Esteve no Sustados por um Gesto, núcleo de onde sairia o Pato Fu, sua banda atual. “Tínhamos muitas idéias e tempo disponível para estar em todas”, brinca. “O underground, quando genuíno, é uma escola, estimula a ser original, a fazer som pessoal”.
Para ele, a dificuldade de informação contribuiu para a diversidade de sons. “Hoje, as bandas underground fazem quase o mesmo som do mainstream”, critica, lamentando o contexto “cheio de uniformes, regrinhas e conservadores”.
“Em 1980, estávamos criando um treco e pagamos um preço por tentar fugir dos clichês”, conta John, citando a dissolução do Sexo Explícito. “Se a geração do fim dos anos 1980 deixou a sensação de que não aconteceu, na década seguinte conseguiu lugar ao sol decente, além de carreiras brilhantes”, compara, citando os artistas Marta Neves, Jimmy Leroy, Éder Santos e Lucas Bambozzi.
Bem-vindo a
BHUnderground
Registre-se
ou acesse
Sobre
Badge
Obter badge
© 2009 Criado por Rodrigo Minelli Figueira no Ning. Crie Sua Rede Social
Badges | Relatar um incidente | Privacidade | Termos de serviço